28/02/2012
O supérfluo necessário

Em recente viagem, ouvi a seguinte frase de uma guia de turismo, que conduzia um grupo à feira de artesanatos local: “Aqui poderemos nos deliciar com muitas novidades e poderemos comprar aquele supérfluo necessário”.

A referida guia falou a frase em tom de brincadeira, fazendo alusão as muitas sacolas que os turistas passavam a carregar depois de visitar a tal feira.

Ao ouvir a expressão “supérfluo necessário” dei uma boa risada pela espiritualidade da guia, mas não deixei de pensar em tudo aquilo que colecionamos, acumulamos, empilhamos, mas que juramos que no fundo, mesmo no fundo do armário, é necessário.

São bolsas, sapatos, bijuterias, saias, celulares, blusas, etc, etc, etc... a lista não tem fim e parece que cresce em progressão geométrica. Parece que sempre falta alguma coisa.

Contudo, o que é necessário que tornamos supérfluo?

Um sorriso para alguém triste, um obrigado por uma gentileza, um abraço para quem está sozinho, um tempo para nós mesmos, uma ligação para quem está distante, uma permissão para seguir o coração, uma oração para conexão, um perdão para libertação, uma respiração com coragem para começar de novo.

Em francês, a palavra souvenir quer dizer lembrar que para nós remete sempre a presentinhos, pequenas lembranças, que por vezes perdem o sentido com o passar do tempo, ficam esquecidos.

Todavia, quero que meus próximos “souvenirs” de viagem sejam construídos pelos sabores que experimentei, os olhares que cruzei, as pessoas que conheci, os lugares que passei, pelo pôr-do-sol que assisti, pelas paisagens que avistei, pela cultura que me permiti aprender, pelas músicas que dancei, pelas histórias que ouvi e pelo vento que soprou novos horizontes.

Quero que meus “souvenirs” me recordem de que sempre é possível ver a vida sob novas perspectivas, que há mais beleza do que tristeza e que meu coração é o condutor do meu caminho.

Quero inverter a balança e tornar necessário o que parece supérfluo, deixando mais leve, mais vibrante e mais inesquecível o presente de cada dia.


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L’expérience du soin auprès d’enfants malades chroniques : entre vécu, épreuves et formation
Afin de comprendre comment se construisent les soins prodigués aux enfants malades chroniques, une recherche qualitative de type microsociologique a été menée à Rio de Janeiro, Brésil, dans deux hôpitaux spécialisés. Cet article présente les résultats de l’analyse d’entretiens semi- directifs conduits auprès de professionnels. Les objectifs de l’étude ont été de réfléchir, d’analyser et de comprendre les épreuves vécues résultant de la prise en charge d’enfants malades chroniques et d’explorer les composantes expérientielles et formatrices de leurs pratiques quotidiennes. Les résultats montrent que la souffrance éprouvée au cours de la maladie chronique chez les enfants constitue des expériences éprouvantes pour les professionnels de santé. La prise en charge et l’accompagnement de ces patients demandent à la fois des connaissances techniques pour maîtriser les outils et les technologies du soin, et des compétences relationnelles singulières du fait des interactions intensives avec les enfants et leur entourage.